Até onde você iria por dinheiro?
Na obra Quincas Borba, de Machado de Assis, é contada a história do personagem Rubião – professor, que vive em Barbacena e herda a herança de seu amigo filósofo Quincas Borba, ficando com uma única função: cuidar do cachorro, esse, que leva o nome do falecido dono. A partir daí, polos dialéticos da vida, como loucura e consciência, tomam conta, ainda mais, da narrativa. Muitos indivíduos surgem na nova vida de Rubião, que se passa no Rio de Janeiro – corte do século XIX. Todos esses novos personagens, de classe média à alta, abordados em um ambiente que se pauta no simples cotidiano, na convivência comum (crítica social do Realismo brasileiro), constróem uma relação de interesse para com o protagonista. Para eles, dar grandes bailes, decotar a esposa e simular amizades, são cabíveis para conseguir dinheiro, além de status.
Tal dinheiro que faz Rubião ascender socialmente, também o faz cair. O interesse que já possuía, no início do enredo, em herdar o dinheiro do amigo, continua presente, mas representado por seus novos amigos, que o levam a queda. Até mesmo, ele, sem saber como lidar com sua nova realidade, ostenta e gosta de o fazer. Ele se torna, então, um Quincas Borba, ao morrer louco, seguindo a mesma filosofia do amigo (“Humanitas”). Nesse sentido, tudo é dinheiro, tudo é loucura e tudo é Quincas Borba.
Em “Vale Tudo”, telenovela brasileira, exibida pela Rede Globo, no ano de 1988, e com remake no ar no atual ano, os personagens também giram em torno de um interesse maior: o dinheiro. Cada um lida com ele de uma maneira, mas sempre o traz à tona. Para uns, “vale tudo” pelo dinheiro, principalmente, o que se ganha de forma fácil. No entanto, para outros, dinheiro é necessário para o básico e é consequência de muito trabalho. Um molda a visão (caráter, valor) do outro com base no que pensa sobre o dinheiro, em como se comporta diante do dinheiro. A quantia que satisfaz um, não satisfaz o outro. O que um julga errado, o outro julga como certo, como forma de subir na vida.
Logo, a crítica social se faz forte nas duas obras (a literária e a televisiva), trazendo um tema que atravessa tempos. Na versão da novela que está no ar, a personagem Maria de Fátima, interpretada pela atriz Bella Campos, por exemplo, com interesse no dinheiro que se encontra com a mãe, Raquel, interpretada pela atriz Taís Araújo, se joga de uma janela para chamar a atenção dela. Com isso, o que pode ser loucura para muitos, para ela, é válido, se o fim for dinheiro. Outro exemplo, é a personagem Leila, interpretada pela atriz Carolina Dieckmmann, que entregue ao amor por Marco Aurélio, personagem de Alexandre Nero, começa a lavar dinheiro com e por ele.
Confira:
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