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Hamilton — Qual é o preço de entrar para a história?

Quem vive, quem morre, e quem conta a nossa história? Chegou aos cinemas Hamilton, o musical de Lin-Manuel Miranda que comemora seus dez anos de existência, trazendo à tona uma das maiores produções da Broadway. Mas, a pergunta que fica...

Sumário

Quem vive, quem morre, e quem conta a nossa história?

Chegou aos cinemas Hamilton, o musical de Lin-Manuel Miranda que comemora seus dez anos de existência, trazendo à tona uma das maiores produções da Broadway. Mas, a pergunta que fica é: qual é o preço de entrar para a história? Vamos descobrir!

Sinopse:
Hamilton é um musical premiado que narra a vida de Alexander Hamilton, primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos. Misturando hip-hop, jazz, R&B e os tradicionais estilos da Broadway, o espetáculo foi originalmente encenado no teatro Richard Rogers em Nova York, e agora ganha uma versão cinematográfica em comemoração ao seu aniversário.

Análise e Impressões:

A primeira coisa que impressiona ao assistir Hamilton é como Lin-Manuel Miranda conseguiu transformar a história dos Estados Unidos em algo tão empolgante e inovador, especialmente ao utilizar o hip-hop e o rap como veículos narrativos. A própria peça, como uma das músicas sugere, não para; ela é movida por um ritmo frenético, sempre em movimento, e nos mantém com os olhos vidrados a cada cena.

O musical tem uma das melhores aberturas de todos os tempos. A música Alexander Hamilton cumpre perfeitamente o papel de contextualizar a história e introduzir o público ao universo do musical. Desde a primeira nota, você é transportado para um tempo passado, com um tom irreverente, mas cheio de intenções e significado. A sequência de músicas que segue, como Aaron Burr e My Shot, constrói uma crescente impressionante. Mesmo que o tom musical permaneça constante, o impacto de cada letra e melodia só aumenta. My Shot, em particular, se destaca, representando a revolta e a ambição de Hamilton de maneira memorável.

Contudo, a atuação de Lin-Manuel Miranda como Alexander Hamilton, o protagonista, é um ponto controverso. Embora seu talento para a escrita e a composição seja inquestionável, sua performance como cantor e ator deixa a desejar. Seu canto, por exemplo, se limita ao “ok”, o que compromete um pouco a força emocional do personagem. Hamilton é um personagem difícil, às vezes irritante, e Miranda não consegue preencher totalmente a carga emocional exigida para esse papel. Felizmente, o restante do elenco brilha, preenchendo as lacunas deixadas pelo protagonista.

Leslie Odom Jr. se destaca com sua interpretação de Aaron Burr, tornando-se o verdadeiro coração da peça. Sua habilidade de transmitir a luta interna do personagem e sua evolução ao longo da história é fantástica. O solo Wait for It é um dos maiores momentos do musical e, sem dúvida, um dos mais impressionantes de sua carreira. Odom Jr. consegue não apenas sustentar o show, mas também dar uma profundidade única ao antagonista.

Jonathan Groff, no papel de Rei George III, traz uma dose de humor e charme ao espetáculo, embora sua participação seja limitada. Mesmo com poucas aparições, ele consegue deixar uma marca indelével com suas músicas, You’ll Be Back, What Comes Next?, e I Know Him. Sua presença carismática adiciona uma leveza ao musical, proporcionando um contraponto à intensidade dramática dos outros personagens.

O elenco de antagonistas também conta com Daveed Diggs e Okieriete Onaodowan, que interpretam Thomas Jefferson e James Madison, respectivamente. No segundo ato, eles formam uma dupla explosiva e fazem um excelente trio com Aaron Burr. O destaque de Diggs vai para Guns and Ships, uma das músicas mais eletrizantes do espetáculo. Durante o primeiro ato, eles desempenham os papéis de Lafayette e Hércules Mulligan, e é interessante ver como eles alternam de personagens tão distintos com tanta competência.

Entre os coadjuvantes, Anthony Ramos brilha como John Laurens e Phillip Hamilton, mesmo que tenha pouco tempo de tela. Sua energia e presença são inegáveis. Já Jasmine Cephas Jones tem uma performance cativante, especialmente como Maria Reynolds. Ela adiciona um toque de sensualidade e complexidade ao musical, mostrando sua versatilidade.

As Schuyler Sisters, interpretadas por Renee Elise Goldsberry, Phillipa Soo e Jasmine Cephas Jones, são outro ponto alto da produção. Goldsberry como Angélica Schuyler é uma força, sua presença no palco é magnética, e sua interpretação de irmã mais velha protetora e decidida é inesquecível. Phillipa Soo, como Eliza Schuyler, tem a delicadeza e força necessárias para complementar Hamilton de forma maravilhosa. Sua interpretação traz uma suavidade que é um contraponto perfeito para Angélica, criando uma dinâmica interessante entre as irmãs.

Musicalmente, Hamilton é um espetáculo à parte. As músicas, escritas com maestria por Lin-Manuel Miranda, são extraordinárias. A forma como elas se entrelaçam, com versos que se repetem e se conectam, é um exemplo claro de como a composição é mais do que apenas música; ela é um instrumento narrativo. Cada música tem um propósito e nada ali está por acaso. A genialidade de Miranda é evidente em como ele organiza as peças e as letras, criando uma complexidade de camadas que se revelam aos poucos, dando uma nova perspectiva a cada reexibição.

Apesar de todos esses pontos positivos, Hamilton não é perfeito. O maior defeito do musical está, sem dúvida, em seu protagonista. O personagem de Hamilton, sendo um tanto irritante e arrogante, fica ainda mais difícil de engolir devido à performance de Lin-Manuel Miranda. Sua falta de variação vocal e emocional não contribui para a intensidade do drama, e o peso do personagem acaba recai sobre os ombros do elenco de apoio.

Além disso, é importante destacar que Hamilton é uma peça filmada, e não um filme no sentido convencional. Se você vai assistir esperando a experiência de um filme com cenas externas ou transições de locais, vai se decepcionar. O formato teatral está presente em cada cena, e a história é toda cantada sem diálogos falados. Esse formato, no entanto, pode ser visto como um charme para os fãs do teatro, mas pode afastar quem espera algo mais “cinematográfico”.]

Conclusão:

Hamilton é um musical que conseguiu capturar a essência da história americana e transformá-la em algo completamente inovador. É uma peça vibrante, cheia de energia e uma explosão de talento, especialmente no que diz respeito ao elenco de apoio, cujas atuações são absolutamente excepcionais. Apesar do desempenho morno de Lin-Manuel Miranda e algumas falhas no ritmo, a peça se mantém envolvente e oferece uma experiência única para aqueles que apreciam música e teatro. Se você está procurando uma história envolvente com canções que vão ficar na sua cabeça por dias, Hamilton é uma escolha excelente. Só não espere um filme convencional é uma peça filmada e, como tal, traz toda a magia do teatro diretamente para a tela.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

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