O cinema é uma ferramenta que une todos os tipos de artes, formando desde uma produção simples, complexa, a blockbuster para o público geral. Uma Batalha Após a Outra faz essa junção de estilos para entregar um filme importante, urgente e engraçado.
Na trama, um ex-membro de um grupo busca ajuda de outros revolucionários para encontrar sua filha.
Paul Thomas Anderson, ou PTA, é um dos cineastas mais interessantes e versáteis na atualidade, Com longas como Magnólia (1999) e Sangue Negro (2007) em sua filmografia. Este ano, ele nos traz seu novo projeto, que pode ser um dos melhores do ano até agora. Uma trama frenética e atuações muito boas, Uma Batalha Após a Outra traz um olhar forte sobre temas atuais,como o mundo está neste momento, imigração e questões raciais, mostra como a ficção pode beirar a realidade.
A produção começa há 16 anos atrás, mostrando um grupo de revolucionários ajudando imigrantes. Essa sequência é acompanhada pelo ponto de vista de Perfídia (Teyana Taylor). Mesmo tendo pouco tempo de tela, transmite uma energia vibrante e rouba a cena. A edição é frenética e tem boa ação bem feita na direção.
O roteiro também assinado PTA, somos muito apresentados à realidade desse universo que reina no caos, violência e poder, que é usado muito bem para criticar os absurdos do mundo atual. Bom exemplo disso é a presença do coronel Lockjaw (Sean Penn), que é detestável desde sua primeira aparição. Penn equilibra a vilania, causando uma mistura de sentimentos com essa figura.

Uma Batalha Após a Outra / Foto: Warner Bros
Visualmente, ele é impecável. Uma das fotografias mais bonitas do ano o uso tom amarelo nas sequências finais. A utilização da câmera fez uma imersão absoluta na história. Existem situações em que a câmera está parada, temos quadros em movimento. A cena onde há uma rebelião entre civis e polícia, a energia visual dessa cena é assustadora e documental. PTA tem seu maior orçamento de sua carreira,que é utilizado a graciosidade é vista na tela.
O forte do filme é a relação entre Bob (Leonardo Dicaprio) e todo o núcleo de personagens para achar sua filha que foi sequestrada por Lockjaw, essa situação acontece no segundo ato onde Bob tem mais destaque é apresentado a preocupação dele com o sumiço da garota. O personagem passa boa parte sob efeito de entorpecentes, com um humor extremamente engraçado. Há uma piada onde ele questiona sobre o código não lembra porque está sob efeito de drogas.
As atuações são boas, os destaques, além do DiCaprio e Sean Penn, mas os coadjuvantes também são ricos para construção da história. Benicio Del Toro interpreta um professor de karatê irônico e debochado; tem ótima química com Bob. Regina Hall entrega algo mais intimista de sua carreira. Conhecida por ser a comédia besteirol, “Todo Mundo em Pânico” usa calma e delicadeza.
Uma Batalha Após a Outra tem vários momentos onde montanha russa de sentimentos. A mistura de gêneros faz ser um verdadeiro espetáculo. Suas 2h e 40min não são sentidas. Com boa crítica e personagens ricos em essência no longa, vale a pena ver na maior tela possível.
Uma Batalha Após a Outra estreia nos cinemas nesta quinta-feira 25 de setembro.
