Fernando Coimbra entrega um thriller nacional imperdível
Os Enforcados chega aos cinemas sob a direção de Fernando Coimbra, com Leandra Leal em parceria mais uma vez com o cineasta. A pergunta óbvia: vale a pena? A resposta: sim — e com sobras.

Sinopse
Um casal tenta sair do negócio criminoso da família. Mas quanto mais eles tentam escapar, mais são empurrados para o buraco do qual achavam que já tinham saído.

Por que ver: orgulho do cinema nacional
Esse é o tipo de filme nacional que você devia mostrar para aquele parente que torce o nariz para produção brasileira. Os Enforcados prova que cinema brasileiro pode ser brutal, sofisticado e totalmente digno do seu tempo.
A abertura e o tom
O filme já anuncia sua pegada ao citar A Balada dos Enforcados, de François Villon e a cena inicial é um choque calculado que prepara o espectador para quase duas horas tensas. Desde o primeiro plano você entende a lógica desse universo: claustrofobia, consequência e inevitabilidade.
Atuações: Leandra Leal e Irhandir Santos brilhantes
Leandra Leal e Irhandir Santos estão espetaculares. Grande parte do que eles transmitem fica nas entrelinhas olhares, silêncios, planos separados que comunicam o sufocamento da trama. A progressão de Irhandir, de alguém subestimado a figura fria e chocante, é construída com paciência e precisão. Leandra faz um arco poderoso: de dona de casa a alguém enredada numa teia sem volta suas cenas com Irene Ravache são puro suco dramático.
Direção e atmosfera
Fernando Coimbra domina o desconforto. Ele trabalha com quebras de expectativa e sons que incomodam (a obra na casa, por exemplo), e escolhe mostrar mais as consequências da violência do que a violência em si, o que torna tudo mais perturbador. A montagem e o uso de som criam uma sensação crescente de aperto que funciona o filme inteiro.
Personagens secundários
Pêpê Rapazote, como o delegado Valério, entrega um personagem ambíguo e intrigante, com cenas bem colocadas que acrescentam camadas ao roteiro. O filme evita vilanizar simploriamente; prefere mostrar como os personagens vão sendo moldados por decisões e pressões.
Gêneros e tom
Os Enforcados mistura máfia, thriller, investigação, comédia preta e até um sopro de romance com equilíbrio impressionante. O resultado é um filme que te faz passar por emoções distintas e sair perturbado no bom sentido.
Veredito
Fernando Coimbra assina uma obra de arte: tensa, justa no tempo, e com atuações que permanecem na memória. Os Enforcados é, sem dúvida, um dos melhores filmes nacionais do ano e obrigatório para quem quer ver o cinema brasileiro em alta forma.
