Uma releitura que é um soco no estômago
Chegou aos teatros em temporada até 15 de março Ópera do Malandro, clássico musical com canções de Chico Buarque, agora revisitado pelo diretor Jorge Farjalla. A nova montagem aposta em uma leitura mais visceral e simbólica da obra, reforçando temas sociais e políticos que continuam atuais.
A proposta de Farjalla é transformar o espetáculo em uma experiência sensorial. A montagem incorpora elementos da cultura brasileira, da religiosidade e da estética popular para recriar o universo da Lapa boêmia e marginal onde a história se desenvolve.
Sinopse de Ópera do Malandro
Max é um malandro elegante, boêmio da Lapa que vive de pequenos trambiques enquanto explora uma cantora de cabaré. A situação se complica quando surge Ludmila, filha do dono do cabaré, que pretende aproveitar o cenário da guerra para lucrar com o contrabando.
Ópera do Malandro destaca força do teatro musical brasileiro
Sob a direção de Jorge Farjalla, o Teatro Renault se transforma completamente. A cenografia e a direção de arte criam um ambiente carregado de simbolismo, trazendo para o palco elementos como rituais, macumba e referências ao universo do terreiro.
Essa escolha estética dá identidade própria à montagem e cria uma atmosfera quase ritualística. Desde a abertura, o público é transportado para um mundo onde a malandragem, o desejo e o poder se misturam.

Elenco de Ópera do Malandro equilibra carisma e tensão dramática
José Loreto surpreende ao interpretar o malandro Max. Sua presença cênica sustenta o personagem com carisma, mesmo que vocalmente ele não alcance sempre o mesmo nível de intensidade.
O destaque das interações fica no embate entre Max e Carol Costa, que interpreta Teresinha. A química entre os dois cria uma tensão constante tanto emocional quanto sexual que movimenta a narrativa.
Destaques do elenco em Ópera do Malandro
Entre os coadjuvantes, Ernani Moraes e Totia Meireles vivem Duran e Vitória Régia, pais de Teresinha. Eles representam vilões caricatos que às vezes destoam um pouco do tom mais dramático da encenação.
Já Andrezza Massei, como Lúcia, entrega uma atuação segura e consistente, equilibrando bem presença vocal e dramática.
Mas o momento mais impactante do espetáculo pertence a Valéria Barcellos, que interpreta Geni. Sua performance em “Geni e os Zepelins” se torna o grande clímax da peça. A potência vocal da atriz e a forma como a cena é encenada transformam esse momento em um verdadeiro soco no estômago.
Vale a pena assistir Ópera do Malandro?
Mesmo apresentando alguns momentos mais arrastados que poderiam ser levemente encurtados, a montagem de Ópera do Malandro impressiona pelo impacto visual, pela força das interpretações e pela atualidade de seus temas.
Jorge Farjalla entrega uma releitura poderosa que reforça o potencial do teatro musical brasileiro. Entre momentos de provocação, crítica social e intensidade dramática, a peça se destaca como uma das produções mais marcantes do ano nos palcos.
Ópera do Malandro reafirma a força do teatro nacional e mostra como um clássico pode ganhar novas camadas quando revisitado com ousadia.
