“Qualquer maneira de amor vale a pena. Qualquer maneira de amor valerá”
A primeira comédia romântica focada na comunidade LGBTQIA+ de um grande estúdio de Hollywood, Mais que Amigos, consegue trazer bem os clichês das comédias românticas de casais héteros de maneira divertida. Vamos descobrir?
Sinopse: Da mente ferozmente cómica de Billy Eichner (Billy on the Street) e dos brilhantes diretores Nicholas Stoller (Ressaca de Amor) e Judd Apatow (Descompensada), Mais Que Amigos é uma comédia inteligente e profunda sobre dois homens gays e sobre as dificuldades de encontrar outro humano tolerável com quem partilhar a vida.

Faz um bom tempo que não via comédias românticas, talvez por preguiça ou porque, às vezes, esses longas só trocam de protagonista, mas mantêm a mesma estrutura e história. No entanto, Mais que Amigos me fez mudar de ideia. Filmes para a comunidade LGBTQIA+ infelizmente ainda são filmes de nicho, mas este, protagonizado pelo comediante Billy Eichner (O Rei Leão 2019), furou a bolha e foi lançado nos cinemas pela Universal Pictures. Ele traz boas pitadas de clássicas comédias românticas dos anos 2000, mas com uma nova roupagem um casal gay como protagonistas da história.
A direção de Nicholas Stoller (Vizinhos) faz um bom trabalho aqui. A maneira como ele capta os sentimentos dos protagonistas Billy Eichner e Luke Macfarlane é boa. A relação entre ambos é bem construída, o que permite entender os pontos de vista de cada um sobre o amor. Eichner, que interpreta um homem gay quarentão que nunca encontrou o amor, e Macfarlane, um advogado especialista em heranças muito seguro de si, são unidos em uma trama simples, mas que também tem falhas, principalmente no terceiro ato, onde há momentos que parecem apressados.

As piadas têm altos e baixos. Algumas delas têm uma pegada bem norte-americana, com uma certa metalinguagem sobre a dificuldade dos estúdios em fazer filmes sobre a temática LGBTQIA+ e a vida dos protagonistas. As esquetes cômicas funcionam bem, como as do programa de comédia Saturday Night Live. Aliás, a participação do elenco neste filme é um ponto positivo.
Billy Eichner faz um bom trabalho como protagonista, e dá para ter empatia pelo seu personagem. Os momentos cômicos e dramáticos funcionam bem, e até fiquei surpreso com a profundidade de suas atitudes. Em uma cena, ele janta com a família de Aaron (Macfarlane), onde tem uma explosão nesse momento ele expressa muito bem seus sentimentos reprimido sobre o as pessoas querem ele se portam que ele não seja ele mesmo mas sim o outros querem, o que é um dos melhores momentos do longa. Macfarlane faz o contraponto romântico e consegue quebrar as expectativas com seu personagem, dando emoção e carisma à sua atuação.

O romance vai bem até o terceiro ato. Como já mencionei, o diretor não consegue segurar todos os clichês das comédias românticas, no qual o filme se parodia. Parece que os produtores pediram para acelerar a trama, e isso fica bem nítido na tela, onde o desenvolvimento do casal para alcançar o final feliz parece apressado.
Todo o elenco é formado por pessoas da comunidade, e as piadas são muito boas, especialmente as envolvendo o personagem de Jim Rash (Community), que é bissexual e fala sobre os bissexuais sendo esquecidos na narrativa da história LGBTQIA+. A participação de Debra Messing (Will & Grace) também é divertida, já que ela é conhecida por interpretar a amiga de um gay que dá conselhos, mas que, na vida real, não aguenta mais esse papel. Essa cena é bastante engraçada.

Mais que Amigos mostra um avanço em Hollywood ao trazer novas histórias e um novo olhar sobre o amor. Mesmo utilizando clichês do gênero de comédia romântica, o longa tem seus momentos de brilhar. É muito importante ver histórias de amor que não sejam sempre sobre casais héteros. O amor deve ser vivido nas telas por várias experiências e orientações sexuais. Espero que este longa seja o primeiro de muitos.
Mais que Amigos esta disponível no Amazon Prime e para aluguel digital na Play Store e Apple Tv.
