Ela está de volta: a boneca M3GAN retorna em uma sequência bem diferente do original, desta vez abraçando o absurdo de vez, com uma trama que mais parece ter sido tirada de um filme de ação dos anos 90. O novo longa se destaca com sua protagonista, que, quando aparece, rouba a cena.
Na trama, dois anos após o incidente com M3GAN, Gemma ressuscita sua boneca IA para enfrentar Amélia, um robô militar criado por contratantes que roubaram a tecnologia de M3GAN.
A maioria das continuações enfrenta enormes desafios — seja na crítica ou na bilheteria — e o mesmo acontece aqui. O primeiro M3GAN teve o mesmo problema: de ser maior ou “melhor”. Esta nova parte traz um tom totalmente diferente, focando em um thriller de ação, algo que funciona apenas em partes. Sua grande referência é o clássico de James Cameron, O Exterminador do Futuro 2, onde o robô T-800, vilão no primeiro filme, se torna um tipo de anti-herói na sequência. Mas com um adendo: M3GAN 2.0 abraça totalmente o absurdo que fez falta no filme original.
Toda a execução da história é bastante previsível, beirando uma trama genérica sobre IA e segurança global. Há pontos positivos, principalmente ao abordar um tema tão relevante no mundo atual. Gemma (Allison Williams) funciona como porta-voz dessa campanha de trazer a IA para um lado mais seguro. Esses momentos do longa mostram uma mensagem interessante sobre como podemos coexistir com essa nova tecnologia.
Em tom paródico e absurdo, o longa reconhece que, em um mundo onde já existe uma boneca assassina, havia espaço para mais uma. Entra Amélia (Ivanna Sakhno), uma adição interessante à trama. A personagem, uma arma do governo dos EUA, dá errado e começa a caçar Gemma e Cady. Sua relação com M3GAN, mesmo com poucos momentos, é bem construída. Há uma cena de embate entre os robôs no terceiro ato que é a melhor sequência de ação, franca e bem coreografada.

M3GAN 2.0/ Foto: Universal Pictures
Allison Williams e Violet McGraw (Cady) retornam para seus papéis. Suas relações aqui são mais desenvolvidas. A parte que aborda a maternidade, já presente no filme anterior, é melhor trabalhada, com Gemma abraçando mais jornada de quase se tornar uma nova mãe para sua sobrinha. As atuações de ambas seguem o mesmo nível do primeiro, mas sem grande evolução.
A direção de Gerard Johnstone falha em alguns momentos. O longa praticamente abandona o leve terror que existia no original e sofre ao tentar se reinventar nas cenas de ação. Há uma quebra de expectativa para quem espera mortes — aqui, por causa da baixa classificação indicativa, elas são escondidas por sombras e enquadramentos subjetivos. O tom mais assustador também não existe nesta nova trama. A parte de espionagem é chata, talvez resultado do roteiro de Akela Cooper, que coescreveu com o diretor. Dá para perceber que existiam muitas ideias para essa nova história, mas elas se perdem nas mirabolâncias da própria piada do filme.
M3GAN 2.0 é uma sequência divertida, que até supera seu capítulo anterior, mas que sofre ao transformar a franquia de terror em um filme de ação genérico. As referências existem, mas não são bem exploradas. A boneca-título continua roubando a cena: a interpretação física de Amie Donald e a voz de Jenna Davis dão mais personalidade a esse novo ícone do terror — que diverte, mas ao entrar por esse novo caminho, pode dividir o público.
O longa já está em cartaz nos cinemas brasileiros.
