Juntos, novo terror que está chegando aos cinemas, utiliza o subgênero body horror para contar uma das histórias de amor mais distorcidas do ano. Com um tom cômico em algumas partes, o longa se destaca por surpreender em sua execução, explorando a relação de um casal ausente, um como o outro pode ter conexão um tanto assustadora.
Na trama, a mudança de um casal para o interior desencadeia um incidente sobrenatural que altera drasticamente seu relacionamento, suas existências e suas formas físicas.
Essa nova era do terror contemporâneo utiliza metáforas e signos visuais para criar alegorias sobre traumas, problemas do dia a dia e, neste caso, o amor. A direção do estreante em longas-metragens, Michael Shanks, utiliza muito bem esses elementos para criar tensão já na cena de abertura temos um vislumbre do body horror que o longa trará. A ambientação, que homenageia gêneros como casa mal-assombrada, filmes de possessão e comédias românticas, são misturados para esse ser um dos melhores terror do ano.
A maneira como o diretor utiliza todos os ambientes é bem feita, assim como a própria metáfora do casal protagonista de se juntar, a outras formas, à casa do interior onde vão morar. Mesmo sendo uma casa grande, ele usa enquadramentos fechados para dar a sensação de que algo está errado gerando incômodo em vários elementos, tanto dentro quanto fora do ambiente.

Juntos/ Foto: Diamond
A construção do mistério do longa, porém, deixa a desejar. O clichê do gênero, e a reviravolta é fácil de decifrar. O filme patina nesses momentos ao tentar dar uma explicação que poderia ser mais bem trabalhada.
Para um filme de terror atual, Michael Shanks vai na contramão de longas como Terrifier, onde a violência se sobrepõe à história. Aqui, mesmo mostrando pouco sangue, o diretor causa desconforto em cenas mais subjetivas. Um exemplo é quando Tim (Dave Franco) suga o cabelo de Millie (Alison Brie): o barulho gerado nesta cena causou choque em uma sala de cinema. Já a cena de junção do casal um tanto quase cartunesca mistura elementos práticos com CGI, mostrando um bom trabalho.
Alison Brie e Dave Franco carregam o filme nas costas, com uma dinâmica e química em tela tanto como casal no longa quanto na vida real. Suas atuações são viscerais. Desde o início, fica claro que aquele casal não está bem. Nos momentos mais dramáticos, Franco entrega talvez uma das melhores performances de sua carreira. As discussões entregam verdade, fazendo o espectador vivenciar a jornada sobre o amor. Brie entrega momentos cômicos que funcionam muito bem, divertindo em várias cenas.
Juntos entra na lista dos filmes de terror de 2025 que se destacam. Não é A Substância, como alguns estão o comparando é mais comercial, mas tem personalidade, provocando o questionamento: a atitude do casal foi certa ou não? Ao final, entrega jump scares na medida certa. A produção conseguiu me conquistar te pode também conquistar.
Juntos estreia nos cinemas brasileiros no dia 14 de agosto.
