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Crítica: Eleanor The Great (A Incrível Eleanor)

Uma das grandes atrações da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Eleanor The Great, ou A Incrível Eleanor, marca a estreia de Scarlett Johansson como diretora. O longa propõe um retrato sensível, delicado e por vezes irreverente sobre...

Sumário

Uma das grandes atrações da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Eleanor The Great, ou A Incrível Eleanor, marca a estreia de Scarlett Johansson como diretora. O longa propõe um retrato sensível, delicado e por vezes irreverente sobre memória, amizade e envelhecimento, mas será que cumpre sua promessa?

Sinopse — Uma história de amizade, perda e descobertas

O filme acompanha Eleanor (June Squibb), uma mulher de 94 anos espirituosa e rebelde, que enfrenta o luto pela morte de sua melhor amiga de mais de 70 anos, Bessie (Rita Zohar). Para lidar com a perda, Eleanor se muda da Flórida para Nova York e passa a viver com a filha Lisa (Jessica Hecht) e o neto Max (Will Price).

Durante uma visita ao Centro Comunitário Judaico de Manhattan, Eleanor se envolve com um grupo de suporte a sobreviventes do Holocausto, onde passa a compartilhar histórias de Bessie como se fossem suas. A situação chama a atenção de Nina (Erin Kellyman), uma jovem estudante de jornalismo, que decide escrever sobre Eleanor. Entre mentiras, memórias e revelações, nasce uma amizade inesperada, marcada por ternura, segredos e desafios emocionais.

Scarlett Johansson atrás das câmeras

É cada vez mais comum ver atores e atrizes assumindo o papel de diretor, mas Scarlett Johansson se destaca por sua estreia ao trazer sensibilidade e cuidado à narrativa. A direção de Johansson busca capturar o olhar único de Eleanor, equilibrando drama, humor e momentos de introspecção.

O filme acerta ao trabalhar o conceito de narradora não confiável, criando suspense e curiosidade sobre o que é real e o que é reconstrução da memória. Johansson consegue equilibrar essas camadas, mesmo que em alguns momentos a história pareça um pouco dispersa, tentando abordar temas densos demais em um espaço relativamente curto.

June Squibb — Uma atuação cativante

Aos 95 anos, June Squibb entrega uma de suas atuações mais memoráveis desde Nebraska (2013). Eleanor é carismática, divertida e cheia de nuances, um personagem que cativa imediatamente. Squibb consegue transmitir a solidão, a força e a vulnerabilidade da protagonista, tornando a narrativa mais envolvente e humana.

Sua performance é especialmente poderosa nos momentos em que Eleanor interage com o grupo de sobreviventes e quando constrói sua relação com Nina. Squibb transforma a personagem em alguém complexo e imprevisível, mantendo o público atento ao que é verdade e ao que é narrativa inventada.

Erin Kellyman e a dinâmica com Eleanor

Erin Kellyman brilha como Nina, trazendo energia, sensibilidade e autenticidade à jovem jornalista que se conecta com Eleanor. A relação entre as duas é o coração emocional do filme, marcada por ternura, aprendizado mútuo e descobertas sobre coragem e memória.

A dinâmica entre Squibb e Kellyman é delicada e natural, funcionando como contraponto às questões mais densas sobre morte, perda e legado. É nesse relacionamento que o filme mais se destaca, oferecendo momentos genuínos de emoção.

Temas, estilo e potenciais contradições

Eleanor The Great aborda diversos temas importantes: envelhecimento, amizade, luto, memória e identidade, mas nem sempre consegue equilibrar todas as camadas. Em certos momentos, a narrativa parece se contradizer ou se dispersar, embora ainda consiga transmitir sensações autênticas e reflexivas.

A fotografia e o design de produção valorizam os detalhes da vida cotidiana e dos cenários de Nova York, trazendo um realismo que contrasta com os momentos lúdicos e quase poéticos da narrativa de Eleanor. A mistura de humor e drama, embora irregular, mostra que Johansson possui potencial para evoluir como diretora, especialmente na habilidade de trabalhar com atores e histórias intimistas.

Conclusão — Um começo promissor

Eleanor The Great é um filme emocional, delicado e cheio de nuances, que se apoia em performances excepcionais e uma premissa envolvente. Embora ainda apresente algumas falhas estruturais e narrativas, a estreia de Scarlett Johansson demonstra sensibilidade, atenção ao personagem e uma boa capacidade de equilibrar drama e humor.

Para quem gosta de filmes intimistas, sobre envelhecimento e memórias, a obra é uma experiência tocante, principalmente pela química entre June Squibb e Erin Kellyman. É uma estreia que aponta potencial significativo para futuras incursões de Johansson como diretora.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

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