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Crítica – Dona Lola, a peça

Coloquemos de lado a imagem cultuada sobre as avós: fofinhas, ingênuas e sempre disponíveis pra todo mundo da família. Vamos ficar então com as avós de um mundo globalizado de mensagens instantâneas e centenários que ainda fazem aniversário. Avós pra...

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Coloquemos de lado a imagem cultuada sobre as avós: fofinhas, ingênuas e sempre disponíveis pra todo mundo da família. Vamos ficar então com as avós de um mundo globalizado de mensagens instantâneas e centenários que ainda fazem aniversário. Avós pra lá de sinceras e que estão adorando descobrir o significado de Carpe Diem. Essa é a Dona Lola, interpretada por Marcelo Médici em seu novo monólogo. Lola tem uma capacidade hilariante de julgamento, faz receitas de bolo para a neta e seus seguidores; e se reafirma de uma maneira muito espontânea. Sua vida seria uma divertida crônica semanal. Mas ela vai parar no palco de uma peça de teatro. Sobre ela mesma.

Dona Lola é um fenômeno nas redes sociais, mas ela não é atriz, não tem um roteiro e tem somente a ajuda da neta nos bastidores no dia da estreia. Suas amigas estão entre as primeiras convidadas. Já no palco, recebe mensagens de uma por uma comunicando a ausência, enquanto conversa com o público como se estivesse na sala com suas melhores amigas. O assunto principal? As amigas.


“A mulher de 60 não quer ser a nova mulher de 40, ela quer ser a mulher de 60” disse a atriz Débora Bloch em uma entrevista. Dona Lola tem 70 e é alguém que quer estar fora das caixinhas cinzas que, nesse período, alguém como ela é colocada. Mas também sabe que as intempestividades chegam. Entende como é preciosa a habilidade de readaptar-se, porque a vida já trouxe algumas perdas e trará algumas camadas empoeiradas difíceis de limpar. Também percebe o inestimável poder de escolher quem está ao seu lado nesse momento e nos próximos.

A peça é um reconhecimento delicioso da maturidade.Marcelo se inspirou nas mulheres que já conheceu e amou, e que o próprio declara que tinham em comum o bom humor. Fatos, lembranças, a convivência – tudo usado para construir a personagem que se tornou um “bocado” das mulheres que estiveram ao seu lado. Ele está afiadíssimo com um diálogo mais que atual, com referências a assuntos que são temas de debate e uma linguagem que todos que estão “cronicamente” online conseguem entender. Lola também vem dos 35 anos de carreira do ator – do seu conhecimento e amadurecimento vindos de múltiplos papéis.

Junto ao diretor Ricardo Rathsam, está levando o público paulista aos teatros e enchendo as cadeiras com uma faixa etária bem diversificada. Está no Teatro FAAP até dia dois de outubro.

Créditos do material: Jairo Goldflus

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Flávia Piauí
Sobre o autor Flávia Piauí

A imaginação e a esperança me mantêm viva. E através de uma tela eu aprendi a sonhar. Mas nem tudo cabe em uma imagem. Às vezes faltam palavras, falta uma legenda. Instagram: fasuez

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