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Crítica | Branca de Neve (2025)

A princesa original merecia coisa melhor Chegou ao Disney+ a tão aguardada adaptação em live-action de Branca de Neve, a primeira princesa da Disney. Dirigido por Marc Webb e estrelado por Rachel Zegler e Gal Gadot, o longa prometia homenagear...

Sumário

A princesa original merecia coisa melhor

Chegou ao Disney+ a tão aguardada adaptação em live-action de Branca de Neve, a primeira princesa da Disney. Dirigido por Marc Webb e estrelado por Rachel Zegler e Gal Gadot, o longa prometia homenagear um clássico absoluto da animação. Mas será que entregou?

Sinopse

Fugindo da Rainha Má, Branca de Neve encontra refúgio com Dunga, Dengoso, Zangado, Espirro, Feliz, Doutor e Soneca. Quando os guardas do palácio embarcam em uma missão para trazê-la de volta, um plebeu e seu grupo de bandidos da floresta se unem para protegê-la.

Um clássico que merecia mais

É ousado, sem dúvida, a Disney revisitar Branca de Neve em formato live-action. Afinal, trata-se da obra que deu início ao império das princesas e que moldou o imaginário de gerações. Por isso mesmo, esperava-se mais cuidado e reverência com esse legado. O resultado, infelizmente, é inconsistente.

Rachel Zegler: talento mal aproveitado

Rachel Zegler é uma cantora talentosa — isso já havia sido provado em Amor, Sublime Amor, Evita e Romeu e Julieta. No entanto, sob a direção de Marc Webb, sua atuação como Branca de Neve não convence. A personagem parece engessada, com expressões forçadas que tentam transmitir emoção, mas soam teatrais demais. A direção parece não saber como guiá-la em cena, e isso compromete muito da conexão com o público.

Os “sete anões” e seus pares

A reformulação dos sete anões em “criaturas mágicas” até começa de forma nostálgica — a cena de introdução tem certo charme —, mas rapidamente se perde. Os elementos mágicos atribuídos a eles são descartados sem explicação, e os personagens acabam sendo figurantes de luxo. Uma exceção é Dunga, vivido por Andrew Barth Feldman, que entrega uma das poucas cenas emocionantes do grupo.

Do outro lado, temos o “príncipe” Jonathan (Andrew Burnap) e seus companheiros, que ganham mais tempo de tela. Burnap tem química com Zegler, e o relacionamento dos dois até funciona em alguns momentos. No entanto, os números musicais deixam a desejar. O dueto entre os dois, por exemplo, soa desconectado, como se as vozes brigassem entre si em vez de se harmonizarem.

Gal Gadot: beleza não basta

Gal Gadot é carismática e visualmente perfeita como Rainha Má — mas sua atuação e, principalmente, seu canto comprometem o papel. Sua performance vocal é desafinada, sem técnica e sem emoção. É desconcertante ouvi-la cantar, e sua personagem, que deveria ser imponente, acaba virando quase uma paródia.

Trilha sonora esquecível

Outro ponto fraco do filme é sua trilha sonora. Com exceção do solo de abertura de Branca de Neve, da canção inicial e da música dos anões, o restante do repertório parece ter sido composto sem inspiração — músicas genéricas, sem identidade, que não colam nem marcam. Em um musical da Disney, isso é quase um pecado.

Os méritos: visuais e dublagem

Nem tudo é desastre. O filme tem visuais belíssimos, com paisagens naturais deslumbrantes e uma fotografia que encanta. A dublagem brasileira também merece elogios, com vozes como Maria Clara Rossis, Rodrigo Garcia, Flávia Saddy, Francisco Júnior e Sylvia Sallusti. Destaque para Saddy, que consegue tornar os diálogos da Rainha Má mais críveis e até suavizar o impacto da atuação de Gadot.

Veredito

Branca de Neve (2025) é uma produção ambiciosa que tropeça justamente onde não deveria: na alma da história. Apesar de bons talentos envolvidos e uma direção de arte competente, o filme não consegue capturar o encanto do original nem construir algo novo que se sustente por si só. No fim, é uma obra que, com esforço, talvez passe de ano — mas apenas na recuperação

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

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