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A alteridade em “A Menina do Outro Lado”

No mangá “A menina do outro lado”, de Nagabe, Shiva é abandonada por sua família e encontrada por Sensei, uma “criatura feia”, antropomórfica, que vive afastada da cidade por ter o risco de amaldiçoar a população. Essa maldição surgiu de...

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No mangá “A menina do outro lado”, de Nagabe, Shiva é abandonada por sua família e encontrada por Sensei, uma “criatura feia”, antropomórfica, que vive afastada da cidade por ter o risco de amaldiçoar a população. Essa maldição surgiu de um desentendimento entre dois deuses, o deus branco e o deus preto, e, lançada pelo primeiro, as pessoas se tornavam criaturas negras que causavam medo e temor, podendo converter outros também. Para viverem em segurança, os humanos construíram um muro para deixarem os “forasteiros” do “outro lado”.

Diferente da deusa Ártemis, apresentada no livro “A morte aos olhos”, de Jean-Pierre Vernant, que delimita uma fronteira entre os civilizados e os selvagens para lembrar os homens de não se bestializarem por conta da caça, da qual é considerada padroeira, e, ao mesmo tempo, permite a permeabilização da fronteira, os humanos da história de Nagabe não permitem a entrada das criaturas do “outro lado” por medo de os monstros tomarem a sua terra e maldisserem todos.

Eles veem os monstros como o “outro”, algo estranho, que exprime temor e é diferente do esperado, do comum. Com isso, eles isolam os monstros, a fim afastar o coletivo do prejudicial. Esse “outro” é a alteridade presente no mangá.

Como a procura de identidade é muito valorizada pelos humanos, que buscam especificidades para se diferenciarem um dos outros, procurando um reconhecimento e lugar no mundo, a figura do “outro se torna extremamente necessária, para que ele também procure suas especificidades. Porém, quando esse “outro” começa a se diferenciar muito do esperado, construindo faces que podem causar medo, desconforto e horror, ele não é mais tratado como um humano, mas como algo que deve ser mantido longe: o outro é alteridade.

O personagem Sensei, mesmo que cativando os leitores, é a alteridade para os humanos: o horror, o diferente, aquilo que não conseguem explicar nem entender. Por isso, preferem isolá-lo e caçá-lo caso ele entre no lado “certo”. Ele e todos iguais a ele causam desconforto por se diferenciarem tanto da raça dominadora. O medo ocorre a partir do desconhecido e acaba não se tornando conhecido para acabar o medo.

No final, o mangá de Nagabe não retrata apenas uma história sombria, mas também como uma sociedade constrói e rejeita uma alteridade para preservar a sua identidade.

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Isabela Godoy
Sobre o autor Isabela Godoy

Leitora, colecionadora de gibis da turma da mônica jovem, amante de doramas e Velozes e Furiosos. Gosta de ler livros de romance e fantasia, sempre esperando que sátiro venha buscar ela, e assistir filmes e séries da Disney, sendo suas favoritas Gravity Falls e Os Feiticeiros de Waverly Place. Sempre está ouvindo Bruno Mars ou Turma do Pagode enquanto faz as tarefas do dia a dia.

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