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Crítica – A Centésima Noite

O folclore de bruxas e cavaleiros retorna com força em A Centésima Noite, um conto de fadas fora do comum dirigido por Julia Jackman. O filme é a adaptação homônima da graphic novel de Isabel Greenberg, publicada no Brasil pela...

Sumário

O folclore de bruxas e cavaleiros retorna com força em A Centésima Noite, um conto de fadas fora do comum dirigido por Julia Jackman. O filme é a adaptação homônima da graphic novel de Isabel Greenberg, publicada no Brasil pela DarkSide Books, e livremente inspirada em As Mil e Uma Noites. Desde seus primeiros minutos, a obra deixa claro que pretende dialogar com a tradição da fantasia clássica enquanto propõe uma releitura moderna e sensível do gênero.

Sinopse: um conto de fadas sobre desejo e sobrevivência

A trama acompanha Cherry, que é deixada sozinha por cem dias pelo marido negligente, Jerônimo, determinado a testar sua fidelidade. No entanto, durante esse período de ausência, Cherry se vê envolvida em um delicado triângulo amoroso entre sua fiel criada, Hero, e Manfred, o sedutor amigo de seu marido.

Para afastar os avanços insistentes do cavaleiro e, ao mesmo tempo, proteger o amor que sente por Cherry, Hero passa a contar histórias noite após noite. Assim, a imaginação se transforma tanto em escudo quanto em arma, reforçando o papel da narrativa como ferramenta de resistência.

Estética britânica e ecos da fantasia clássica

Esteticamente, A Centésima Noite carrega uma identidade fortemente britânica. A produção aposta em uma fotografia artesanal e envolvente que remete a clássicos da fantasia como The NeverEnding Story (1984), Labyrinth (1986) e até Howl’s Moving Castle (2004).

Ainda assim, o filme evita o simples saudosismo. Pelo contrário, há um esforço claro em modernizar o gênero, combinando humor, leveza e um senso lúdico que torna a experiência divertida e acessível ao público contemporâneo.

Representatividade e performances em destaque

Um dos maiores méritos do longa está em unir representatividade e modernidade a um universo tradicionalmente associado a valores conservadores. Sem romper com a atmosfera de fábula ou com o imaginário medieval, o filme constrói metáforas delicadas e relações simbólicas que enriquecem o desenvolvimento de seus personagens.

Nesse sentido, Emma Corrin e Maika Monroe parecem transbordar diretamente das páginas da graphic novel. Ambas entregam personagens carismáticas, complexas e emocionalmente envolventes, criando uma empatia imediata com o espectador.

Por outro lado, Nicholas Galitzine se destaca como Manfred. Seu carisma natural torna o personagem intrigante e ambíguo, dificultando enxergá-lo como um vilão tradicional. Cada entrada em cena evidencia o domínio do ator, provando o quão desafiador é escalá-lo para papéis moralmente questionáveis.

Narrativa dentro da narrativa

O filme ainda conta com Charli XCX como a narradora do conto utilizado por Hero para envolver tanto Cherry quanto Manfred ao longo das noites. Esse recurso metalinguístico reforça o diálogo com a tradição oral que inspira A Centésima Noite, além de aprofundar sua estrutura narrativa.

Vale a pena assistir?

A Centésima Noite nasce como um forte candidato a novo clássico da fantasia moderna. Ao combinar romance queer, estética encantadora e o poder atemporal das histórias, o filme entrega um conto de fadas espirituoso, visualmente marcante e emocionalmente honesto — com um final feliz convincente e múltiplos pontos de vista que enriquecem sua construção.

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Robert Silva
Sobre o autor Robert Silva

estudante de jornalismo, amante de cinema e apaixonado por filmes de terror.

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