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Crítica: Sound of Falling (Som da Queda) (2025)

Uma angustiante história de sofrimento ao longo de gerações A Mostra de São Paulo começou, e um dos filmes mais aguardados do festival é O Som da Queda um longa que conquistou elogios no Festival de Cannes e agora chega...

Sumário

Uma angustiante história de sofrimento ao longo de gerações

A Mostra de São Paulo começou, e um dos filmes mais aguardados do festival é O Som da Queda um longa que conquistou elogios no Festival de Cannes e agora chega ao público brasileiro. Mas será que vale a pena assistir? Vamos descobrir.

Sinopse

O Som da Queda acompanha, ao longo de uma década, a vida de quatro mulheres de diferentes épocas que parecem misteriosamente conectadas entre si.
Ambientado em uma fazenda rural às margens do rio Elbe, entre Berlim e Hamburgo, o filme atravessa períodos marcantes da história da Alemanha das guerras mundiais à divisão entre Leste e Oeste.

A narrativa percorre quatro gerações: Alma no início do século XX, Erika nos anos 1940, Angelika nos anos 1980 e Lenka nos dias atuais. Cada uma enfrenta seu próprio destino trágico e a violência silenciosa de um machismo estrutural que atravessa o tempo e o espaço.
A casa onde vivem se torna o espelho de uma história nacional marcada pela brutalidade e pelo tormento.

Um mergulho angustiante no inferno pessoal de uma família

Se fosse para resumir em poucas palavras, O Som da Queda é angustiante uma verdadeira viagem ao inferno emocional de uma família amaldiçoada.
A diretora Mascha Schllinki entrega uma obra ousada, difícil e profundamente desconfortável. É um filme que machuca, mas também fascina. Um poema sombrio sobre maldição, dor e libertação.

Desde o início, acompanhando Alma (Hanna Heckt), somos jogados em um ambiente claustrofóbico e triste. A câmera pesada, de textura quase suja, transmite uma sensação de opressão constante e esse sentimento só aumenta com o passar das gerações.
Cada época com Erika (Lea Drinda) nos anos 40, Angelika (Lena Urzedowsky) nos anos 80 e Lenka (Laeni Geiseler) no presente carrega um fardo emocional cada vez maior, como se o sofrimento fosse hereditário.

Direção e contexto histórico impecáveis

Mascha Schllinki trabalha com maestria as transições de tempo, especialmente durante os períodos de guerra. A diretora cria uma poderosa metáfora sobre como a história da Alemanha mancha as famílias que vivem nela e como a dor coletiva se transforma em dor individual.

O reflexo disso é uma narrativa densa e perturbadora, que revela o lado mais cruel da natureza humana e da sociedade patriarcal ao longo das décadas.

O coração e a alma do filme

O destaque absoluto de O Som da Queda é Lenka, a personagem que vive nos dias atuais.
Ela representa o ápice da maldição familiar e também a possibilidade de libertação.
A atuação de Laeni Geiseler é visceral: sentimos sua dor, sua raiva e seu esgotamento emocional. Quando finalmente ela encontra um momento de paz, o espectador sente o mesmo alívio.

Conclusão

O Som da Queda não é um filme para todos. É frio, aflito, doloroso e, em muitos momentos, cansativo.
Mas é justamente essa intensidade que o torna tão marcante.
A obra é uma experiência cinematográfica única, um retrato perturbador sobre o peso da história, da culpa e da violência transmitida de geração em geração.

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Marina Bueno
Sobre o autor Marina Bueno

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