Exibida na 49ª Mostra de São Paulo, a aguardada adaptação Frankenstein de Guillermo del Toro ganha vida nas telas de cinema, onde deve ser vista. Toda a sua visão do diretor mexicano é vista durante a exibição, seja pelo lado bom ou ruim.
Na trama, um cientista brilhante, mas egocêntrico, dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.
O que é ser humano? E como uma criatura pode ter mais humanidade do que os próprios? Essa é a narrativa contada em Frankenstein durante as suas 2h 29min de duração. O próprio ser criado a partir de restos mortais e personificação, com até mesmo algo mais puro, pode ser contaminado com ódio, violência e tristeza. Tudo isso é embalado pelo maior destaque do filme: a brilhante e emocionante atuação de Jacob Elordi (Euphoria).
A criação desse universo é tomada por visuais e figurinos visualmente chamativos. del Toro e sua equipe não poupam esforços em engrandecer toda sua criação do final do século XIX. Utilizando a estética neogótica, temos um dos cenários mais lindos do ano até agora: o castelo onde a criatura é forjada e onde a loucura de Victor Frankenstein ganha vida. Mas algo que me incomodou foi CGI destoante em algumas cenas; bons exemplos são: uma borboleta presa em uma caixa e a fuga da criatura, em que fogo e mais uma explosão do castelo são dos piores momentos visuais do longa.

Frankenstein / Foto: Netflix
Mas algo torna o filme um tanto desinteressante e o Victor de Oscar Isaac, na maioria das cenas, parece estar um pouco fora do tom daquele personagem. A discussão mais para o final entre ele e o monstro, que está nítido, tem algo de errado.
Todo o processo de adaptação do roteiro de del Toro consegue bem diferenciar outras do mesmo personagem, mas a escrita perde foco nesse lado humano. Toda a primeira parte antes da criação, fica com um ritmo lento. Não é a melhor produção do mexicano, mas dá para ver carinho maior por ele na parte mais característica de sua filmografia, o monstro. Todos os defeitos da parte humana são jogados de lado, até os diálogos fluem melhor para virada de ponto de vista.
Frankenstein traz atuações ok. Mia Goth (A Marca da Morte) e Christoph Waltz são só coadjuvantes de luxo. O roteiro dá destaque ao criador e à criatura, mesmo achando o personagem de Waltz até desnecessário para a trama. Com erros e acertos, a demora na produção e agora com apoio da Netflix, Guillermo del Toro constrói uma metáfora forte sobre a humanidade a partir de um monstro.
Longa estreia em cinemas selecionados em 23 de outubro na Netflix em 7 de novembro.
