Considerados os eventos principais da polis grega, os festivais em homenagem aos deuses gregos poderiam acontecer em diversas ocasiões, desde disputas esportivas até festas de quermesse, sempre deixando claro o seu principal objetivo: cultuar uma divindade, reforçar a fé da polis e dos cidadãos naquele deus ou deuses. Cada cidade possuía o seu modo de demonstrar essa dedicação e prestígio diante daquele deus, com procissões e rituais, mas todos declamavam os hinos.
Os hinos, canto ou poema dedicado as divindades, declamados por cantores profissionais, não possuíam a conotação religiosa atribuída nos dias atuais, porém, era de grande valor para os devotos em seus festivais. Assim como os mitos gregos, os hinos eram passados de geração em geração, e conseguiram chegar, apesar de muitos terem sido destruídos ou se perdido no caminho, até o século XXI.
“Como toda composição oral, os hinos devem ter sido criados, recitados e transmitidos oralmente, de rapsodo para rapsodo, durante muitas gerações (Stehle, 1997, p.170). Não sabemos quando e onde essas composições foram registradas por escrito, uma vez que o P. Berol. 13044, que contém os mais antigos trechos da coleção, data de meados do século I a.C., o que nos deixa com um intervalo de quase seis séculos entre a composição dos hinos mais antigos e o papiro de Berlim.” (Rosa et al, 2010, p. 46).
O autor de Ilíada e Odisséia, Homero, possui uma antologia de trinta e três hinos, escritos com o metro hexâmetro datílico, que são considerados os mais famosos da literatura, sendo eles declarados a/ à/ às/ aos: Dionisio (h. Hom. 1, h. Hom. 26 e h. Hom. 18); Deméter (h. Hom. 2 e h. Hom. 13); Apolo (h. Hom. 3 e h. Hom. 21); Hermes (h. Hom. 4 e h. Hom. 18); Afrodite (h. Hom. 5, h. Hom. 6 e h. Hom. 10); Ares (h. Hom. 8); Ártemis (h. Hom. 9 e h. Hom. 27); Atena (h. Hom. 11 e h. Hom. 28); Hera (h. Hom. 12); Mãe dos Deuses (h. Hom. 14); Herácles (h. Hom. 15); Asclépio (h. Hom. 16); Dióscuros (h. Hom. 17 e h. Hom. 33); Pã (h. Hom. 19); Hefesto (h. Hom. 20); Posídon (h. Hom. 22); Zeus (h. Hom. 23); Héstia (h. Hom. 24 e h. Hom. 29); Musas (h. Hom. 25); Gaia (h. Hom. 30); Hélio (h. Hom. 31); e Selene (h. Hom. 32).
Assim como seus poemas épicos e as obras mais famosas de Hesíodo, Teogonia e Os trabalhos e os dias, os hinos de Homero, atribuídos ao mesmo pela alta qualidade, também podem ser considerados poemas rapsódicos, um dos três gêneros poéticos, que é declamado sem acompanhamento musical.
Contudo, esse conjunto também está incluído na questão homérica, já que não se tem certeza de que foi apenas um homem- Homero- que o escreveu ou se o autor realmente existiu.
Após estudos mais profundos sobre essa obra, nota-se que ela teve influência de outros poemas homéricos, da Teogonia, da Odisséia e de hinos da coleção, classificados até como enxertos das obras mais longas. Nessa mesma análise entrariam os primeiros versos de Os trabalhos e os dias– dedicados a Zeus- e os primeiros versos da Teogonia– dedicados às Musas-, pois, se retirassem apenas esse trecho do poema completo, seria considerado um hino e, provavelmente, atribuído a Homero, devido à alta qualidade. Por isso as discussões em relação à questão homérica.
