O filme menos caótico de um diretor caótico
Está chegando aos cinemas Ladrões (2025), o novo filme de Darren Aronofsky, um dos melhores diretores da nossa geração. Mas será que vale a pena? Vamos descobrir.
Sinopse: O ex-jogador de beisebol Hank Thompson inesperadamente se vê envolvido em uma luta pela sobrevivência no submundo criminoso da cidade de Nova York dos anos 1990. Ele precisa navegar por um mundo que nunca imaginou.
Apesar do título, Ladrões não é apenas sobre crimes. O filme mistura diversos gêneros, mas mantém uma narrativa simples e direta. Aronofsky aqui aposta em um estilo mais contido, sem protagonistas obsessivos ou surtos dramáticos.
Hank, interpretado por Austin Butler, é provavelmente o personagem mais “normal” da filmografia do diretor, mas ainda assim carregado de intensidade. Butler transmite bem a força de seu personagem e o drama de enfrentar obstáculos em um mundo perigoso. Suas cenas com Zoe Kravitz são cheias de química e emoção, fazendo o espectador torcer por esse casal.

A dinâmica de Hank com Matt Smith também se destaca, trazendo caos controlado e momentos de tensão genuína, que assim como qualquer outro filme do Aronofsky vai crescendo ao longo do filme e ficando mais intensa e imprevisivel, principalmente em seu desfecho.
Regina King, como uma detetive perspicaz, entrega cenas memoráveis em que cada fala carrega intenções e camadas ocultas. Nikita Kukushkin impressiona como um psicopata imprevisível, cuja presença cria verdadeiro medo. Bad Bunny aparece em um papel mais simples, interpretando um mafioso estereotipado que cumpre seu papel, mas sem se destacar.
Tecnicamente, Ladrões é impecável. A fotografia é belíssima e a edição dinâmica intensifica cada cena de ação. Os socos e confrontos físicos são impactantes, transmitindo a sensação de dor real, como se você sentisse cada osso quebrado e órgão ferido junto com os personagens.

Embora Ladrões não alcance a grandiosidade de obras como Requiem para um Sonho ou Cisne Negro, é um filme sólido, cru e envolvente, que consegue se destacar entre os lançamentos do ano. Para quem acompanha Aronofsky, é uma experiência diferente e mais acessível, mantendo a qualidade técnica e o impacto emocional que caracterizam seu trabalho.
