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Crítica: Memórias do vinho – per bacco

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O vinho é uma bebida que une diferentes pessoas à mesa e, em algumas situações, traz verdades inconvenientes. Mas é dentro de uma adega que os protagonistas da peça “Memórias do vinho – per bacco” se confrontarão com as verdades...

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O vinho é uma bebida que une diferentes pessoas à mesa e, em algumas situações, traz verdades inconvenientes. Mas é dentro de uma adega que os protagonistas da peça “Memórias do vinho – per bacco” se confrontarão com as verdades de cada um a partir do dia 5 de julho. Em um dos últimos textos escritos pela atriz Jandira Martini, pai e filho desmontam a relação distante de uma dinâmica parental que se assemelha às nossas.


Daniel, o pai, (Herson Capri) dava festas glamourosas junto à esposa na época de ouro da família, com garrafas caríssimas sendo abertas,presenteadas ou sendo usadas como troca de favores. Seu primeiro vinho veio do sogro na festa do seu casamento, um Chateaux Margaux, safra de 1945; que iniciou sua paixão por vinho e, que viraria, mais tarde, um resquício daquilo que ele foi. Ao contrário dele, o filho Daniel (Caio Blat) nunca seguiu a mesma paixão. Gostava de cinema e teatro, e viu na adega rara abandonada do pai uma gota de esperança para materializar seu sonho nas telas. Conhecido como o deus do vinho, da folia e do teatro, Baco já rondava a trama entre pai e filho.

Um brinde à reconciliação

A cenografia da peça nos coloca em uma adega empoeirada, porém chamativa, que representa a imagem que o pai construiu e, que agora, era a expectativa de um filho que nunca teve apoio para viver da forma que quisesse. Herson apresenta um pai enfraquecido fisicamente e reflexivo sobre as falhas do passado, como pessoa e como pai.

Nesse reencontro, alguns desentendimentos têm a chance de se desfazerem. O amargor das lembranças se misturam aos aromas das garrafas amontoadas. Na relação entre pais e filhos, será que os acertos podem mudar esses aromas? “Memórias do vinho – per bacco”, não raramente, é uma história que já vimos. As rachaduras que vão se abrindo na difícil missão de ser pai e filho.

Com direção de Elias Andreato, de autoria de Jandira Martini e Maurício Guilherme, reestreia dia 5 de julho, no Teatro Renaissance, em São Paulo; após uma temporada passada de teatro lotado.

Créditos da foto: Roberto Setton

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Flávia Piauí
Sobre o autor Flávia Piauí

A imaginação e a esperança me mantêm viva. E através de uma tela eu aprendi a sonhar. Mas nem tudo cabe em uma imagem. Às vezes faltam palavras, falta uma legenda. Instagram: fasuez

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