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Crítica: Homem Com H

Não se diferencia do recorte padrão das cinebiografias que estamos habituados, que tentam condensar a vida inteira do personagem como se fosse possível encapsular em um filme. Os sentimentos resultantes deste método são de muitas sobras, enquanto se desperdiça a...

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Não se diferencia do recorte padrão das cinebiografias que estamos habituados, que tentam condensar a vida inteira do personagem como se fosse possível encapsular em um filme. Os sentimentos resultantes deste método são de muitas sobras, enquanto se desperdiça a chance de se aprofundar em temas ou circunstâncias específicas que valeriam ouro. Felizmente, isso não é uma verdade incontestável em “Homem com H”, que apresenta esses percalços, mas que não ofuscam o que de melhor tem a oferecer. Ele se mantém firme e não se desvia do que determina, muito graças ao notável Ney Matogrosso, que em sua trajetória de vida e profissional questionou a masculinidade, e sua cinebiografia não é diferente. Deixa o menino ser um bicho! Não importa a sua idade ou se conhece o Ney, qualquer membro da comunidade LGBTQIAPN+, em algum momento, vai se identificar com alguma situação, é emocionante nesse sentido. Pode parecer loucura, mas nenhuma experiência é individual.

Jesuíta Barbosa é incrível na pele de Ney. Todos os seus olhares e gestos estão presentes, um estudo belíssimo. Os fãs vão gostar, o filme respira o artista que é retratado. É sem pudor, sem receio de retratar fielmente uma vida que deu um tapa na cara do conservadorismo. Essa audácia resulta em façanhas visuais impressionantes, como a cena musical da canção “Homem Com H”, que é uma revelação. Esmir Filho, mesmo nas partes exaustivas, consegue extrair algo relacionável.

Nota: 8/10

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Luca Rossini
Sobre o autor Luca Rossini

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