No próximo dia 13, estreia no Teatro Santander Meninas Malvadas: O Musical, adaptação tanto da obra de Tina Fey quanto da versão da Broadway. A produção prova que um elenco talentoso não precisa de superestrelas para brilhar e que a diversidade pode – e deve – estar presente no teatro musical.
Com uma Cady negra, uma Regina George nipo-brasileira, uma Karen negra, além de um elenco formado por nomes pouco conhecidos ou ainda sem grandes papéis na carreira, o musical mostra que o teatro musical brasileiro tem muito a aprender com essa nova empreitada. A exceção entre os mais experientes é Danielle Winits, que interpreta a Sra. George, Sra. Norbury e Sra. Heron.
Os nomes de maior destaque na cena musical são, sem dúvidas, Lara Suleiman e Arthur Berges, que já participaram de produções como Beetlejuice e Escola do Rock. Aqui, eles dão vida a Janis e Damian, os icônicos melhores amigos da protagonista, entregando atuações carismáticas e cativantes.
Um dos maiores trunfos da peça – e também da coletiva de imprensa – é a diversidade do elenco e a forma como ela é trabalhada. Admito que me emocionei ao ver uma Cady negra com tranças, algo raramente visto em adaptações desse tipo. Laura Castro, que interpreta a protagonista, incorpora esses elementos à sua personagem de maneira natural e autêntica.
O trio formado por Anna Akisue, Aline Serra e Gigi Debei nasceu para ser As Poderosas. Além de fugirem do estereótipo que normalmente se espera para esses papéis – geralmente interpretados por atrizes brancas –, a escolha de uma Regina George nipo-brasileira e de duas meninas negras para o grupo traz uma diversidade que enriquece a narrativa. Anna, em especial, se destaca como um dos rostos centrais da peça.
Meninas Malvadas: O Musical tem o potencial não apenas de levar prêmios no Bibi Ferreira – considerado o Oscar dos musicais brasileiros –, mas também de servir como um tapa na cara da indústria do teatro musical brasileiro, provando que elencos diversos são possíveis. A produção mostra que é hora de abrir espaço para novos talentos, novos corpos e novas culturas em personagens que, historicamente, eram sempre interpretados por atores brancos.
