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Crítica: A Substância

Sabe ser cruel. Existe uma força impressionante no roteiro (vencedor de Melhor Roteiro no festival de Cannes) e na direção de “A Substância” que provocam uma experiência válida de ser vivida. Coralie Fargeat (“Vingança“ 2017) trata de assuntos como a...

Sumário

Sabe ser cruel.

Existe uma força impressionante no roteiro (vencedor de Melhor Roteiro no festival de Cannes) e na direção de “A Substância” que provocam uma experiência válida de ser vivida. Coralie Fargeat (“Vingança“ 2017) trata de assuntos como a violência contra os corpos femininos, onde os homens desejam que nunca envelheçam. São temas difíceis de serem abordados no cinema com tanto controle e objetivo, o filme se sai muito bem. Em nenhum momento deixa de lado a questão dramática e amplia a discussão. Apesar de ser escrachado, o discurso ainda apresenta subtextos, muitas vezes compostos pelas imagens que falam por si só. A abertura é o maior exemplo, uma estrela na calçada da fama sangrando e sendo esquecida, uma apresentação forte de personagem. Há cenas de fetichização desses corpos que incomodam, mas que cumprem o seu propósito e questionam se é melhor a plasticidade ou a imperfeição, carregada de beleza.

Este é um terror corporal que se transforma e abraça o exagero conforme a protagonista se envolve na obsessão pela beleza jovem. A mudança para o absurdo é construída e experimentada anteriormente, mas, em certo ponto, parece que se concentrou mais em chocar do que servir, o que resulta em sequências longas que são agonizantes e inesperadas. À medida que se afunila, torna-se eletrizante e a montagem acompanha.

Demi More é a melhor escolha, já que foi engolida e esquecida pelo mesmo sistema. Parece até uma resposta bastante significativa. O desafio que as duas protagonistas enfrentam, Elisabeth e Sue (Margaret Qualley), em que uma precisa da outra para sobreviver, apesar de estarem sob perspectivas distintas, uma aspirando à ascensão e a outra em declínio, é tão interessante quanto as regras desse jogo. Ousado e mais atual do que nunca, principalmente em um mundo onde a pressão estética é constante. Cruel.

Nota: 8/10

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Luca Rossini
Sobre o autor Luca Rossini

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